Ansiedade: A Doença de Viver num Futuro que Ainda Não Existe

A ansiedade se torna um problema quando ela para de ser expectativa e vira obsessão. Quando o futuro toma tanto espaço na nossa cabeça que esquecemos de viver o presente.

Giovani Campregher

7/22/20263 min read

A ansiedade tem uma característica que a diferencia de quase todas as outras emoções difíceis: ela não vive no presente. Ela mora no futuro. Num futuro que ainda não aconteceu, que talvez nunca aconteça, mas que já está consumindo nossa energia hoje.

Um exemplo bem comum desse tipo de emoção é o seguinte: Você teve um dia ruim no trabalho. O chefe ficou mal-humorado, uma reunião não foi bem, o clima ficou pesado. E aí a cabeça começa a trabalhar: e se ele me demitir? E se eu perder o emprego? E se não conseguir pagar as contas? Em segundos, saímos de um dia ruim e já estamos vivendo um futuro catastrófico que não existe. A ansiedade fez isso — nos transportou para um lugar que está apenas na nossa imaginação.

A neurociência confirma exatamente isso. Pesquisadores definem a ansiedade como um padrão de pensamento orientado ao futuro, onde a mente fica presa em loops de preocupação com eventos que ainda não ocorreram. E como já vimos no artigo sobre medo, mais de 90% dessas preocupações nunca se concretizam. Ficamos exaustos, travados e angustiados por algo que provavelmente nunca vai acontecer.

Mas a ansiedade também tem um lado saudável, e vale reconhecer isso. Quando marcamos a viagem dos sonhos e ficamos ansiosos pela data chegar, isso é bom. Quando esperamos um momento especial com a família e a expectativa nos deixa animados, isso é bom. Essa ansiedade não nos trava, ela nos motiva. O problema começa quando ela para de ser expectativa e vira obsessão. Quando o futuro toma tanto espaço na nossa cabeça que esquecemos de viver o presente.

E é aí que entra o maior prejuízo da ansiedade: ela nos impede de plantar.

Se você quer um relacionamento duradouro, cheio de amor, de carinho, de fidelidade e de felicidade, o que você precisa fazer? Plantar. Plantar atenção, presença, respeito, cuidado. Isso se faz hoje, no presente. Mas a pessoa ansiosa fica tão preocupada com o que pode dar errado no futuro que esquece de construir o que precisa dar certo agora.

Se você quer prosperidade financeira, o que você precisa fazer? Plantar. Estudar, trabalhar, resolver a dor de alguém, criar valor. Dinheiro não cai do céu, ele é colhido por quem planta com consistência. Mas a pessoa ansiosa fica tão preocupada com o resultado que ainda não veio que paralisa e não faz nada hoje.

No relacionamento, nas finanças, na saúde, na espiritualidade. E quando algo que plantamos não dá certo, não é desperdício e sim aprendizado. Cada tentativa que não funciona nos dá experiência, nos molda, nos prepara. E quando plantarmos de novo, nossa colheita vai ser muito mais farta, porque já carregamos o conhecimento do que não deu certo antes.

A ansiedade doentia rouba exatamente isso. Ela nos mantém tão presos no futuro que não plantamos nada no presente. E quem não planta hoje, não tem o que colher amanhã.

E como começar a trabalhar isso agora? Toda vez que a ansiedade aparecer, faça a si mesmo uma pergunta simples: o que estou sentindo está acontecendo agora, ou é algo que estou imaginando sobre o futuro? Se for futuro, volte para o presente e pense o seguinte: o que eu posso plantar hoje? O que está ao meu alcance fazer agora?

Porque é aí que está o seu poder não no futuro que você não controla, mas no presente que você ainda pode construir.

A ansiedade saudável gera expectativa. A ansiedade doentia gera paralisia. A diferença entre as duas está em onde você coloca sua atenção, no futuro que ainda não existe, ou no presente onde tudo ainda pode ser construído.