Neuroplasticidade: Transforme Sua Vida e Mude Hábitos

Descubra exemplos práticos de neuroplastia e como treinar seu cérebro para mudar hábitos no dia a dia. Aprenda técnicas eficazes de desenvolvimento pessoal para transformar sua vida e alcançar seus objetivos.

Giovani Campregher

6/22/20264 min read

"Neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar"

Sabe aquela sensação de tentar mudar um hábito e simplesmente não conseguir? Acordamos determinados a reagir diferente, mas quando a situação chega, o cérebro segue o caminho de sempre automático, rápido, sem pedir licença, isso não é fraqueza, é neurociência.

E a boa notícia é que existe um fenômeno comprovado que explica exatamente como o cérebro muda e como nós podemos usar isso a nosso favor. Ele se chama neuroplasticidade.

Neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar, criando novas conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses neurais. Durante muito tempo, a ciência acreditava que o cérebro adulto era fixo. Que nascíamos com um certo “modelo” e era isso, esse mito, de acordo com novos estudos divulgados caiu.

Hoje sabemos que o cérebro é dinâmico. Ele se adapta, se reconecta e aprende ao longo de toda a vida. Cada nova experiência, cada novo hábito, cada nova forma de reagir, tudo isso deixa uma marca física no nosso cérebro.

Vamos imaginar que o nosso cérebro é como uma floresta. Quanto mais caminhamos pelo mesmo caminho, mais ele fica marcado, largo, fácil de percorrer. Mas se começarmos a abrir um novo caminho, e passarmos a utilizar esse novo caminho com frequência, com o tempo, o novo caminho vira trilha e , em alguns casos o caminho antigo pode até desaparecer.

Isso é neuroplasticidade na prática.

Não existe atalho aqui. O cérebro aprende pela repetição. Toda vez que repetimos um comportamento, um pensamento ou uma emoção, os neurônios envolvidos nesse processo se conectam mais forte. Foi com base nessa descoberta que o famoso neuropsicólogo Donald Hebb cunhou uma expressão que ficou famosa na Neurociência:

Neurônios que disparam juntos, se conectam juntos.

É simples assim. Quanto mais repetimos, mais forte fica a conexão. Quanto mais forte a conexão, mais automático o comportamento. Isso explica por que hábitos são tão difíceis de quebrar, e também por que novos hábitos levam tempo para se firmar.

Vamos a um exemplo que todos nós conhecemos. Imagine que somos daquelas pessoas que, quando alguém fecha no trânsito, já coloca a cabeça pra fora do carro e solta uns palavrões. Não é falta de educação é um trilho mental que o nosso cérebro abriu com o tempo. Estímulo, raiva, explosão. Automático.

Mas e se quiséssemos mudar isso?

Aqui entra uma das ferramentas mais poderosas da neuroplasticidade: a visualização mental.

Pesquisadores da University College London descobriram que quando imaginamos algo com vivacidade, o cérebro ativa os mesmos circuitos que ativaria se a situação fosse real. Imaginação e percepção usam circuitos cerebrais sobrepostos, ou seja, para o nosso cérebro, uma cena imaginada com emoção e detalhes é quase tão real quanto a experiência em si.

Isso é poderoso. Porque significa que podemos treinar nossas reações antes de elas acontecerem.

Como fazemos isso? Sentamos em um lugar tranquilo, fechamos os olhos e imaginamos a cena do trânsito com detalhes: o carro fechando, o barulho, o susto. Sentimos a raiva chegando, não fugimos dela, deixamos chegar. E então, no lugar de explodir, imaginamos respirando fundo, relaxando os ombros, deixando passar. Cada vez que fazemos esse exercício, estamos literalmente criando um novo trilho no cérebro. Com o tempo, quando a cena real acontecer, o caminho novo vai competir com o velho, e quanto mais treinamos, mais chance o novo tem de vencer.

Agora, aqui vai um exercício simples que muita gente não leva a sério, mas que funciona: usar a mão não dominante. Se somos destros, tentar escovar os dentes com a mão esquerda amanhã de manhã. Parece ridículo? Presta atenção no que acontece: o braço “errado” vai querer ajudar, vai ficar tenso, nossa concentração vai a mil. Quando tentamos escovar os dentes com a mão que nunca usamos, tudo no corpo parece errado, tão fortes são os caminhos neurais já gravados. E é exatamente aí que está o valor. Essa sensação de desconforto é o nosso cérebro sendo obrigado a criar novos caminhos.

Um detalhe importante: o tempo que cada pessoa leva para se adaptar é completamente individual. Para um pode levar dias. Para outro, meses. Isso não tem nada a ver com inteligência ou força de vontade, tem a ver com o histórico de hábitos, a intensidade da prática e como cada cérebro está organizado. Não precisamos comparar nosso processo com o do vizinho.

A ciência está cheia de outros casos fascinantes. Músicos desenvolvem maior volume de massa cinzenta nas áreas do cérebro ligadas ao processamento sonoro, uma mudança física, visível em exames.

Uma pesquisa publicada na revista Nature descobriu que aprender a fazer malabarismo aumentou o volume de massa cinzenta nas áreas visuais e motoras do cérebro. Um estudo que treinou pessoas para usar hashi com a mão não dominante por 6 semanas mostrou melhorias significativas na velocidade e fluidez dos movimentos, além de mudanças mensuráveis na atividade cerebral. O padrão é sempre o mesmo: desafio novo mais repetição igual a novo cérebro.

E o que tudo isso tem a ver com as nossas emoções? Tudo. Cada vez que reagimos com raiva, com medo, com ansiedade, estamos reforçando aquela conexão neural. Cada vez que praticamos uma resposta diferente, seja na vida real ou na imaginação, estamos construindo uma nova. Não é magia. Não é autoajuda vazia. É biologia.

O nosso cérebro não distingue muito bem o que é real e o que é imaginado quando a experiência é vívida o suficiente. Podemos usar isso a nosso favor. Treinar as reações que queremos ter. Repetir as emoções que queremos sentir. Criar os trilhos que queremos percorrer.

Neuroplasticidade é a prova científica de que não estamos presos a quem somos hoje. Mas ela tem uma condição: exige repetição consciente. O cérebro não muda por intenção, muda por prática. Muda quando fazemos de novo, e de novo, e de novo, até o novo caminho se tornar mais natural que o antigo.

Mude a mão que escova o dente. Treine suas reações na imaginação. Repita o comportamento que quer ter e o seu cérebro vai seguir.

No próximo artigo, vamos falar sobre autoconhecimento, porque antes de mudar quem somos, precisamos entender quem realmente somos.