Neurônio Espelho: Por Que Nos Tornamos Parecidos Com Quem Convivemos

Descubra como os neurônios espelho influenciam nosso comportamento e linguagem ao convivermos com outras pessoas. Aprenda sobre essa fascinante descoberta científica e como ela afeta nossas interações diárias.

Giovani Campregher

8/14/20263 min read

Você já notou como, depois de um tempo convivendo muito com alguém, começa a pegar as gírias dessa pessoa, o jeito de falar, até gestos que não eram seus? Isso não é coincidência. Tem nome na ciência: neurônios espelho.

Descobertos na década de 1990 por pesquisadores da Universidade de Parma, os neurônios espelho são células cerebrais que se ativam tanto quando realizamos uma ação como quando observamos outra pessoa realizando essa mesma ação. Na prática, isso significa que o nosso cérebro aprende observando e que somos, desde muito jovens, imitadores naturais.

Aprendemos gestos, jeitos de falar e comportamentos simplesmente pela exposição repetida a quem está ao nosso redor. É exatamente o que acontece comigo com meu pai. Convivo muito com ele, inclusive trabalhamos juntos. E com o tempo, comecei a notar que passei a usar expressões que são muito características dele. Por exemplo: coisas que ele fala no diminutivo, formas específicas de se comunicar.

Eu não decidi conscientemente imitar. O cérebro absorveu pela repetição da observação. Isso explica muita coisa na nossa vida. Por que filhos se parecem tanto com os pais em gestos e expressões, mesmo sem perceber. Por que casais que vivem muito tempo juntos acabam falando de forma parecida. Por que quando passamos muito tempo com alguém que admiramos, começamos a absorver características dessa pessoa. E isso tem uma aplicação poderosa: se queremos desenvolver determinadas características, podemos usar o neurônio espelho a nosso favor.

Se você quer ser mais disciplinado, procure se cercar de pessoas disciplinadas. Se quer ter mais confiança, observe de perto quem já tem isso construído. O cérebro absorve o que está diante dele com frequência, então escolher bem quem você observa é escolher, em parte, quem você está se tornando. Isso também explica por que o ambiente que frequentamos tem tanto peso na nossa própria evolução como já vimos em outro artigo sobre influência (https://www.xn--emoaoerazao-o9a.com.br/neuroplasticidade-transforme-sua-vida-e-mude-habitos).

Não é só sobre o que ouvimos ou aprendemos conscientemente. É sobre o que absorvemos apenas por estar perto, repetidamente, de determinado tipo de comportamento. Um ambiente de reclamação constante molda, aos poucos, alguém mais reclamão. Um ambiente de disciplina e estudo molda, aos poucos, alguém mais disciplinado e curioso. É por isso que estou começando a construir minha presença mais forte nas redes sociais. Porque quando você me acompanha com frequência seja nas palestras ou no que eu escrevo ou ainda em parte do meu comportamento, seu cérebro vai absorvendo, através dos neurônios espelho, comportamentos e formas de pensar que podem te aproximar de onde você quer chegar.

O mesmo vale para qualquer referência que você escolha seguir de perto, seja um mentor, um autor, ou simplesmente alguém da sua convivência diária que você admira. Vale reforçar que esse mecanismo funciona nos dois sentidos tanto para o que constrói quanto para o que destrói. Se você convive constantemente com negatividade, vitimismo ou comportamentos destrutivos, o cérebro absorve isso com a mesma naturalidade com que absorveria disciplina ou entusiasmo.

Não existe neutralidade na exposição repetida: ou o ambiente te leva para cima, ou te leva para baixo.

E como usar isso na prática? Observe com atenção quem você mais convive hoje. Essas pessoas estão te aproximando de quem você quer ser? Se a resposta for não, talvez seja hora de se cercar de novas referências porque o cérebro vai espelhar o que está mais presente, e isso molda quem você se torna com o tempo.

Conhece alguém que precisa entender isso? Manda esse artigo agora.